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O design atingiu a maioridade e, com ela vem a responsabilidade

No festival é possível ver uma aposta em data por parte dos serviços tecnológicos e o valor que esses dados podem gerar para as marcas


14 de março de 2019 - 6h00

Primeiro veio o design clássico, que evoluiu para os caminhos do design thinking e agora avança para o computational design. O fato é que o design está totalmente conectado ao business. Está dentro das empresas, definindo os novos serviços, produtos e gerando um impacto em toda a cadeia produtiva. Para mim, que atuo nesse mercado há mais de 25 anos e vi tudo isso acontecer de perto, significa que o design atingiu sua maioridade, garantiu seu assento nos boards das maiores empresas do planeta e está, definitivamente, redefinindo o futuro.

O que se vê neste ano no SXSW é uma grande aposta em data, por parte de todos os novos serviços tecnológicos oferecidos à população mundial e no valor que esses dados podem gerar para as marcas. É claro que, ao lado disso, caminha uma enorme preocupação com o que vai ser efetivamente feito com toda essa informação, talvez um dos bens mais valiosos da sociedade em que vivemos hoje.

Todo e qualquer novo serviço da atualidade, seja ele bancário, de mobilidade, saúde ou lifestyle vem acompanhado de todo um discurso sobre a aquisição de dados de todas as naturezas: como as pessoas vivem, o que e quando consomem, quando e como dormem e isso vai parar em territórios por vezes nebulosos, que nem sempre o usuário sabe ao certo onde vão dar. Mas a troca de seus dados por serviços cada vez mais convenientes e baratos, na maioria das vezes, parece um ótimo negócio.

Grande parte dessa oferta de produtos e serviços tem nas ferramentas de design seu grande viabilizador. A captação das dores e tensões da vida cotidiana gera combustível para a criação de soluções ágeis e simples, quase sempre amparadas em ferramentas tecnológicas que, via de regra, capturam dados do nosso jeito de viver. Ou seja, está tudo hiperconectado.

É aqui que entra a responsabilidade do design. O que fazer com estes dados? Como oferecer serviços que nos ajudem no dia a dia e transformem positivamente a sociedade, mas que não sejam uma cilada a médio prazo, que moldem nossa vida em função de ofertas criadas apenas em função no nosso próprio jeito de ser? Isso me parece muito limitante e um péssimo exemplo do uso de dados.

Inúmeros painéis do SXSW deste ano, em especial os que tratavam de Inteligência Artificial, trouxeram ao mesmo tempo um cenário animador de como a AI vai tornar nossa vida mais simples e produtiva. Mesmo que isso ainda não esteja de fato acontecendo, há um bom caminho para a AI ficar de fato inteligente. Também foi questionada a responsabilidade de todos os envolvidos nos processos criativos e na implementação das novas ideias de maneira segura e coerente com relação aos dados.

É uma nova era para o design e agora não dá mais para ficarmos satisfeitos só por criar. Temos que ficar atentos e assumirmos a responsabilidade por toda a cadeia envolvida no desenvolvimento dos nossos serviços e, é claro, nos impactos que toda esta revolução já está causando.

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