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10 oportunidades para empreender em 2022

Jason Schenker, presidente do The Futurist Institute, aponta áreas direta ou indiretamente impactadas pela pandemia que são campo fértil para os empreendedores

Roseani Rocha
16 de março de 2021 - 20h55

Em 2016, Jason Schenker fundou o The Futurist Institute para ajudar analistas, consultores e novos líderes a incorporar tecnologias emergentes em seus planos estratégicos de longo prazo e, segundo ele, assim se tornarem também futuristas. Em sua apresentação no SXSW 2021, ele conta que isso, ano passado, significou ajudar os clientes a entenderem como a Covid impactou suas estratégias de negócio. Agora, olhando para o período de tempo que considera o momento em que sairemos da pandemia, falou sobre as oportunidades que isso irá criar.

Ele ressalta que muitas indústrias viram suas atividades crescer, mas muitas não eram novas e estavam aí havia algum tempo – como e-commerce, educação online, trabalho remoto e telemedicina. Mas durante a pandemia, cresceu a adesão a esses segmentos que, de muitas formas, tiveram seus negócios acelerados pela Covid-19. Outras indústrias, como os negócios do setor de serviços (hospitalidade, lazer, varejo, restaurantes, viagens) já sofreram mais e continuarão por alguns meses ainda.

“Ao olharmos as oportunidades, algumas estarão nessas áreas de crescimento de 2020, mas também há oportunidades em torno dessas que vão entrar em recuperação e algumas não diretamente ligadas a covid-19, mas que serão influenciadas pelos aprendizados da pandemia e algumas tensões em curso”, pontuou Schenker, explicando em seguida cada uma dessas 10 oportunidades que ele vê para os empreendedores:

E-commerce – Haverá mais oportunidades; o e-commerce não voltará os níveis que vimos em 2019, o que significa que continuaremos a ter pressões e demandas nesse espaço. Empresas fizeram investimentos enormes em 2020 somente para atravessar o período caótico e vão, agora, começar a fazer perguntas sobre o ROI de seus investimentos e dos seus futuros investimentos. Essas questões vão continuar nos próximos anos e a oportunidade aqui é ajudar as corporações a entender onde está o ROI, a avaliar o que estão fazendo e o que poderiam estar fazendo para ser mais eficientes em seu processo de e-commerce. Muitos apps foram instalados durante pandemia, como tornar mais fácil aos usuários, de uma perspectiva de UX, usar apenas uma interface em vez de muitos apps diferentes? Também há oportunidade em ajudar as pessoas a identificarem e classificarem o que é melhor para sua situação. Agora que as pessoas terão tantas oportunidades de e-commerce e interfaces no futuro, vão querer tomar decisões melhores. Ajudar os indivíduos a tomarem essas decisões, da mesma forma que ajuda companhias a fazerem os melhores investimentos, fará surgirem novas empresas.

Telemedicina – É uma área que vimos decolar durante a Covid-19 e continuará como parte dos cuidados de saúde de muita gente por muito tempo. Para muitos, será uma forma permanente de como enxergam os cuidados com a saúde. Como no e-commerce, vimos aquela aceleração toda, agora é preciso otimizar e garantir que tudo ande de forma eficiente. Não é algo que companhias ou pessoas individualmente farão, mas onde um negócio b2b pode ajudar ou mesmo b2c; ajudar a telemedicina operar e até levar mais competição a esse espaço para beneficiar as pessoas.

Trabalho Remoto – Se pensar na proliferação e necessidade da comunicação remota durante a pandemia, todos cresceram. Mesmo agora, quando falo com vocês, e tem alguns usando Slack, outros Teams, Zoom, e ainda há mensagens de texto, telefone, e-mails e assim por diante e veremos, ainda, uma proliferação de novas formas como as pessoas interagem. Para as pessoas no trabalho, vai ficando insustentável só ter mais e mais formas de se comunicar; significa que há uma grande oportunidade de ajudar como as pessoas recebem as informações da miríade de apps que acessam para interagir profissionalmente e com a família e seria muito melhor ter um canal específico. Veremos empresas atuando no sentido de integrar as coisas; a Salesforce tem dado passos nessa direção. Mas isso não só do ponto de CRM, mas na forma como as pessoas contatam alguém ou são contactadas.

Conteúdo – Muitas empresas criaram muitos conteúdos diferentes no último ano. As pessoas trancadas em casa criaram muita coisa, escreveram livros. Há muito conteúdo aí fora e a proliferação por diferentes plataformas é algo também que demanda integração. Mas também haverá questões sobre ROI e como empresas interagem por meio de apps, como levarão sua mensagem a seus públicos. Por enquanto, há algumas formas de integrar, mas ainda parecem um pouco ruidosas. Haverá avanços em como propagar a forma como o conteúdo está sendo ressignificado. Agora, são times vendo como colocar conteúdo em muitos diferentes canais, mas há maneiras de fazer isso de forma até mais limpa. Haverá demanda por isso no próximo ano.

Educação remota – Também deu um salto durante a pandemia. Minha mulher está fazendo um MBA online. A educação online vai crescer, mas haverá desafios em torno do fator preços. Haverá pressão sobre uma indústria que antes não se preocupava muito com ROI e eficiência de custos e análise de custos. E todo avanço da educação vai empurrar mais para isso. Também haverá maior proliferação em substituições, a habilidade de ter mais certificações. Opções de baixo custo, de conseguir crédito escolar por um custo menor. Veremos mais disso e é um grande passo, porque durante a pandemia você estar empregado ou não depende muito de seu nível de educação e de conseguir trabalhar remotamente ou não. A maioria das pessoas com alta formação, ainda estava trabalhando remotamente em janeiro de 2021. Mas para quem não tinha um diploma de ensino médio, era menos de 3%. A educação é um enorme diferenciador de oportunidade, não só de renda e emprego, mas de trabalhar remotamente. Além disso, 66% das pessoas que perderam empregos estão repensando suas carreiras.  A maior parte dos empregos perdidos era de baixo escalão. Haverá muita discussão sobre educação gratuita, mas o que veremos no setor privado serão soluções de baixo custo e desintermediação de custos.

Serviços e hospitalidade – Agora, nos EUA, há uma discussão sobre a cobrança de US$ 15 por hora, no mínimo, como remuneração nacionalmente. Para muitas indústrias, principalmente essas que sofreram muito, acréscimos de custos se tornam desafios de negócios. A oportunidade está em ajudar esses negócios a criar pontes sobre seus gaps. Uma das formas é automação. Veremos muito mais automação nos próximos meses em hospitalidade, restaurantes, varejo, viagens e turismo. A “quiosquização” é algo que vai crescer por dois motivos: ajudar as empresas a operarem em face de uma alta no custo da mão-de-obra e prover um ambiente um pouco mais “sem contato”. Talvez você ainda tenha que tocar numa tela, mas não terá de interagir com outra pessoa numa distância curta. E sabendo que 66% das pessoas estão repensando carreiras, por conta da experiência na pandemia, a questão é “Essas pessoas ainda estarão lá, quando esses setores retomarem atividades?”. Estaremos no mesmo nível de 2019 e isso considerando que eles devem voltar ao normal em 2022 ou depois disso? A oportunidade será ajudar pessoas e indivíduos a encontrar coisas que eles queiram e consertar esse gap.

Eficiência do mercado de trabalho – Este é um gap ainda mais crítico. Algo de certa forma relacionado ao que vimos em hospitalidade. Haverá empresas crescendo e vão precisar de gente. Vimos algumas manufaturas crescerem muito em 2020. Continuam fortes em 2021 e devem continuar crescendo. Temos as estruturas de supply chain, o backend. Há muita gente trabalhando em estoques, centros de distribuição e as empresas ainda precisam de mais trabalhadores. Mas há o gap de eficiência, ligado à educação, então, como conectar esses gaps de eficiência? Haverá muito espaço para as ed techs nessa área, e no RH também. Tenho dito a meus clientes para encontrarem formas de ajudar as pessoas a se educarem para as tarefas que eles precisam. Há muitas formas diferentes de preencher esses gaps e construir pontes entre as pessoas e as empresas que precisam delas agora, ou vão precisar em breve. Isso é muito valioso.

Defesa – Há crescimento de muitas tecnologias e a necessidade por tecnologias duais aumenta, por exemplo, como trazer tecnologias de consumo para o universo da segurança. A “quiosquização” que veremos em hospitalidade também pode ser usada no universo da defesa e liberar alguns agentes para dar apoio em outras questões. Com o mercado de trabalho mais competitivo, será bem-vinda uma maior automação em todas as indústrias, incluindo, segurança.

Sustentabilidade e energia renovável – São pedras angulares críticas das políticas de energia e clima, durante a administração de Joe Biden. E também ganharam muita visibilidade na pandemia, porque se está no home office você não dirige, não queima combustível fóssil. Veremos alguns empurrões nesses assuntos não somente do ponto de vista político, mas corporativo. Já temos visto a ascensão do ESG, do ativismo dos investidores e isso continuará pelos próximos anos. Será preciso ajudar as empresas a demonstrar como elas são sustentáveis e comunicar sua sustentabilidade, assim como estão envolvidas em energia renovável e no tema das mudanças climáticas. Demonstrar, comunicar, monitorar e auditar, tudo isso será importante e oportunidades nos próximos 12 meses e por muitos anos.

New horizon category – O melhor exemplo disso é a computação quântica. Há a tecnologia da computação quântica, que a maioria das pessoas acha que é algo em que não podem se envolver efetivamente, mas isso é fato para a maioria das tecnologias: semicondutores, 5G, robótica, automação. É algo realmente de cientistas altamente qualificados, mas há também todo um campo no entorno que apoia essas indústrias. Em torno da computação quântica, há um campo que demanda mais educação, mais conferências, comunicação, treinamentos sobre os diferentes softwares que estão vindo. E há muitos outros campos de tecnologias emergentes; é algo que veremos não apenas para quantum, mas novas categorias de tecnologias em novos horizontes. É preciso criar ecossistemas de awareness em torno delas e essas são oportunidades de empreendedorismo em áreas que terão longo impacto. E haverá vantagens para quem der os primeiros passos agora em ajudar a criar esses ecossistemas.

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