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O mundo mudou, o SXSW mudou, será que mudou também?

Desculpem os amantes da tecnologia, mas nada substitui a energia de Austin


16 de março de 2021 - 13h26

(Crédito: Leonardo Capel)

Quatro anos atrás desembarcava pela primeira vez na capital do Texas, Austin. No auge dos meus 24 anos cheguei em um dos estados mais caricatos do mundo, esperando encontrar alguns caipiras, muita gente de bota e chapéu e uma boa dose de inovação. Posso te afirmar que, no melhor sentido possível, o Texas, e especialmente Austin, me entregaram tudo isso e muito mais.

Cheguei em Austin em março de 2017 para participar pela 1ª vez do South by Southwest, conhecido carinhosamente como SXSW, um dos maiores eventos de inovação, marketing, música, cinema, arte, negócios e cultura do mundo.

Como participante de primeira viagem, não queria perder nada do que iria acontecer. Então a preparação começou algumas semanas antes, lendo atentamente sobre os painéis, palestrantes e ativações. Para um bom millennial que não quer ficar de fora de nada, a agonia começa a bater antes mesmo de pisar no evento. Isso acontece devido aos espertinhos dos organizadores praticarem um overdelivery que eu nunca tinha visto antes no segmento.

Durante cada minuto do evento não acontece apenas uma grande palestra, nem duas e nem três. Acontecem dezenas de palestras e ações simultâneas, tanto oficiais como não oficiais. Isso traz um sentimento de ansiedade e dúvida sobre como alocar melhor o nosso tempo.

Inclusive, foi lá no SXSW que eu descobri que existe um termo para isso, “FOMO”, ou seja, Fear of missig out. FOMO nada mais é do que o medo de perder as coisas que estão rolando, trazendo uma ansiedade decorrente da crença de que outras pessoas podem estar se divertindo mais em lugares ali pertinho de você.

SXSW é muito mais do que incontáveis palestras com as principais referências do mundo. É um momento de reunir profissionais em território neutro, fértil, sem crachás, sem rótulos, com muita música boa, bebida e conteúdo. SXSW é sobre aprender a aprender, sobre conexões verdadeiras, sobre ativações inusitadas.

 

(Crédito: Leonardo Capel)

Tive a oportunidade de sentir toda essa vibração pela segunda vez, em 2019, agora mais experiente, me sentindo um veterano. Sentia que já sabia os atalhos para os eventos secretos, conexões mais profundas e comidas de graça. De fato, vivi muito desses atalhos, mas o evento nunca deixou de surpreender, afinal, a cada ano o lineup, ativações, marcas e pessoas são diferentes. E mais do que tecnologia, o SXSW é sobre pessoas. Então, foi em 2019 que decidi que me esforçaria ao máximo para participar todos os anos do evento.

E em 2020 não foi diferente e estava eu lá novamente. Porém, resolvi chegar um pouco mais cedo na festa. Já me sentia em casa e queria conversar com algumas empresas e pessoas antes do grande “show” começar. Cheguei 15 dias antes e vi o caos tomar conta da minha querida Austin.

Caos, pois, vivi a dúvida da cidade em cancelar ou não o evento devido ao Covid-19, vi o país fechar as fronteiras, me vi preso lá. Tive a oportunidade de andar nas ruas de Downtown durante os supostos dias do evento. Ruas fantasmas. Entrei em um bar no primeiro sábado a noite que deveria acontecer o SXSW e existiam apenas 3 pessoas, eu, um amigo e o garçom. Quem já foi para o evento sabe que os bares mais do que explodem durante os 9 dias de imersão. A cidade estava devastada. Os pequenos negócios não sabiam o que fazer.

Mas se tem algo que o ser humano é incrível é em ser resiliente. As pessoas se adaptaram, o evento se adaptou e em 2021, enquanto o meu refúgio de inovação não pode acontecer presencialmente, ele migrou para o online. É a mesma coisa? Desculpem os amantes da tecnologia, mas com certeza não, nada substitui a conexão presencial. Mas é o que temos. O evento continua mantendo sua proposta: inúmeras conexões, painéis e conteúdos extraordinários.

E é assim que começamos mais uma participação no SXSW. Um pouco diferente do que era. Mas o que não está diferente, não é mesmo? O mundo mudou, o evento mudou e eu mudei.

Porém, tem coisas que não abro mão e uma delas é pisar em Austin novamente para o SXSW em 2022. Até lá, vamos mais de online do que de off-line.

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