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Do deslocamento coletivo ao digital e à criação de novos significados

Fjords Trends 2021 apresenta tendências para marcas e organizações sobre como priorizar e conectar pessoas num mundo de telas


23 de março de 2021 - 15h17

O ano de 2020 foi como nenhum outro. Ele nos ensinou a viver na ambiguidade, a lidar com o inesperado e com a distância. Mais do que nunca, 2020 nos mostrou que só dá para ser feliz no plural, coletivamente. E, além disso, nos lembrou que vivemos em sistemas que ainda se rompem repentinamente, por serem muitas vezes desiguais e inadequados aos desafios do século 21. Essa constatação foi o ponto de partida da 14ª edição da Fjord Trends, apresentada pela diretora e co-líder global da consultoria, Martha Cotton, nesta edição do South by Southwest – SXSW.

(crédito: United Nations/Unsplash)

Como Martha destacou no evento, a História nos mostra que, após uma crise global, uma nova era de pensamento se inicia com o renascimento de novas formas de criar e de fazer. Novos territórios se abrem para a experimentação, prototipagem e aprendizagem e nos dão a oportunidade de decidir e perseguir um futuro mais desejável, que seja mais sustentável e distribuído para todos.

Por meio de um trabalho colaborativo com mais 2 mil designers, criadores, fazedores e pensadores do mundo, inúmeras evidências foram mapeadas e analisadas sob o olhar da convergência entre comportamento, tecnologia e negócio. Como resultado, Martha apresentou sete tendências que poderão servir para inspirar empreendedores no desenho de produtos e serviços para os próximos dois anos.

1. Collective displacement ou deslocamento coletivo
No ano passado, o mundo experimentou um deslocamento coletivo de espaços e territórios. Mudamos o lugar do trabalho, das escolas, das academias e tivemos o deslocamento das nossas atividades de lugares físicos para espaços online. Perdemos a nossa autonomia e direito de fazermos escolhas. As casas, que eram lugares até então íntimos, ganharam novas funções.

Também perdemos as atividades em comunidade – que são as que criavam as verdadeiras conexões. Nesse contexto surge um enorme desafio para as empresas de reunir informações e entregar produtos e serviços para esse público em deslocamento. Serão necessárias novas soluções para a entrega de experiências a distância. As marcas passam a ter micromomentos de exposição e publicidade e ainda devem ser capazes de gerar prazer e despertar a esperança do consumidor.

2. Do it yourself innovation ou faça a inovação você mesmo
Como indica o estudo, a inovação não é impulsionada apenas por tecnologia e dispositivos. Também é produto da criatividade das pessoas em circunstâncias desafiadoras. Desta forma, as empresas devem mudar a sua abordagem e oferecer ferramentas em vez de soluções, assim encorajando as pessoas a serem mais criativas e a buscarem suas próprias soluções. Como premissa, vemos que a inovação é deslocada de “Tecnologias Primeiro” para “Pessoas Primeiro”. Cada um pode achar sua melhor forma de trabalhar, comprar e consumir entretenimento. As soluções que até então vinham prontas agora devem ser cocriadas com a comunidade. Hoje, vemos que as pessoas estão ressignificando plataformas para as suas necessidades. Como exemplos, as escolas estão usando o app Whatsapp como ferramenta de aprendizagem e artistas estão usando games para performances.

3. Sweet teams are made of this ou boas equipes são feitas disto
Estamos vendo uma mudança na relação entre empregado e empregador. Imagine um novo colaborador que inicia na empresa (já no processo de home office), sem nunca ter conhecido os colegas presencialmente, sem ter acesso aos espaços do escritório. Muitos aspectos prazerosos do trabalho presencial se perderam com a falta de interação.

Como mapeia a pesquisa liderada pela Fjords, o escritório como local de trabalho não morreu, mas várias organizações estão avaliando outras opções. Podemos considerar que o futuro não será um-modelo-único-que-atende-a-todos – e, de fato, é possível que a experiência do funcionário seja diferente em cada organização. Numa pesquisa global, três quartos dos trabalhadores disseram que gostariam de combinar escritório físico com trabalho remoto para compor o novo normal, com um meio a meio indicado como o equilíbrio ideal.

Neste contexto há oportunidades para empregadores inovarem em quatro áreas principais:

– Tecnologia: Hoje existe uma carência de software e hardware para trabalho remoto prolongado. Segundo a Fjord, as empresas têm a oportunidade de criar uma solução ideal de tecnologia integrada à cultura para prover trabalho flexível e resiliente.

– Cultura: Podemos também evoluir nas ferramentas para a construção de uma cultura organizacional, desenvolvendo um senso de pertencimento quando estamos trabalhando à distância.

– Talentos: Podemos pensar em como atrair talentos e recompensá-los. Com o trabalho remoto, podemos selecionar profissionais do mundo todo para a nossa empresa. Como chegar aos melhores profissionais do mundo?

– Controle: Como podemos acompanhar o trabalho dos colaboradores? Qual é a melhor forma? E quando é apropriado fazer isso? Esta questão é sensível, pois envolve a privacidade e a qualidade de experiência. Também precisamos endereçar esta questão de forma ética e entender que o ambiente de trabalho hoje é a casa do empregado, que merece privacidade e liberdade.

4. Interaction wanderlust ou interação com desejo de viajar
Após passarmos inúmeras horas diante das telas, sentimos que elas se tornaram extensão de nós mesmos e, como consequência, nossas interações se tornaram entediantes e exaustivas. As companhias precisam reconsiderar design, conteúdo, audiência e a interação para introduzir mais empolgação, alegria e um elemento-surpresa nas experiências vividas nas telas. Estamos vendo o crescimento de plataformas sociais, de gaming e realidade mista que criam emoções off-line em ambientes digitais, com participação ativa de audiências.

Como aponta o estudo, num momento em que as pessoas estão ávidas por conteúdos criativos e novas interações, marcas que se libertarem de normas antigas e formatos restritivos de design vão conseguir alcançar a diferenciação. Portanto, a ideia é explorar novas plataformas de entretenimento e estética para perceber o que poderia ser feito para motivar o engajamento.

5. Liquid Infrastrutucture ou infraestrutura líquida
Em função do deslocamento coletivo, as empresas mudaram a forma de produzir, estocar e entregar seus produtos e serviços. O supply chain virou estratégia, e seu valor será medido por meio da promoção de flexibilidade, agilidade e crescimento. A personalização na entrega passa a ser um diferencial para o consumidor. Neste contexto, vale a pena investir em modelos mais sustentáveis e locais – exigência cada vez mais comum dos consumidores.

6. Empathy challenge ou desafio da empatia
Durante a pandemia, o acesso à saúde, escola, internet e home office foi muito desigual. Este cenário trouxe um enorme desafio para organizações, aumentando o questionamento de como cada uma deve agir.

“As companhias precisam de uma nova abordagem que misture pragmatismo e empatia e que assegure a manutenção de suas intenções de fazerem o bem”. Nunca foi tão importante amarrar a sua narrativa ao seu propósito e ao que é, de fato, praticado pela empresa. É preciso dar um significado verdadeiro à questão de empatia. A empatia que é comunicada tem que ser transformada em ação para criar um impacto positivo.

7. Rituals lost and found ou rituais de perdidos e achados
A pandemia e o isolamento romperam laços, e precisamos identificar novas formas de construirmos conexões, através da criação de novos rituais, que apresentam outros formatos e experiências. Este caminho nos ajuda a lidar com o sentimento de perda, neste momento tão difícil. As marcas podem criar uma conexão emocional com o consumidor a partir de quatro dimensões:

A) Rituais que servem como um portal para nos expressarmos. Um ritual pode nos ajudar a transitar entre diferentes “eus”. Como estamos confinados, as marcas podem viabilizar formas de o consumidor se expressar e se mostrar, comuns no mercado de beleza e moda

B) Rituais que aumentam o senso de pertencimento e de comunidade. Exemplo: aplicativo que permite que os torcedores se encontrem virtualmente, para torcer juntos.

C) Rituais de rede de conforto. Exemplo: aplicativos de meditação e de auto-cuidado.

D) Rituais dos grandes momentos. Exemplo: casamentos remotos, formatura etc.

Após apresentar as principais tendências, Martha Cotton conclui: “Ajude as pessoas a se sentirem mais relevantes. Como apoiar a sustentabilidade psicológica? Como incorporar considerações de saúde mental a seus produtos e serviços? Se é certo que estamos juntos nesta situação, nossas experiências variam. Portanto, lembre-se de que algumas pessoas estarão se lamentando enquanto outras estarão abraçando novas fontes de satisfação”.

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