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O poder da conexão

Não é apenas sobre o futuro. É sobre como estamos digerindo o nosso presente


23 de março de 2021 - 14h29

Conexão tem sido a palavra chave das atividades da edição 2021 do SXSW. O evento, que sempre traz o futuro para a pauta, desta vez nos fez questionar o presente e a forma como estamos nos relacionando com os temas centrais das atividades, como tecnologia, entretenimento, música, educação e sociedade.

(Crédito: Metamorwork/ iStock)

Nas palestras, essa conexão esteve evidente de várias maneiras. Por exemplo, no uso de dados para compreender o comportamento de gamers e planejar estrategicamente como entregar melhores anúncios, experiências mais imersivas e proporcionar um diálogo mais assertivo com as novas gerações. Foi o que explicou Will Crocker, VP de Customer and Partner Marketing da Braze: “A próxima fronteira de engajamento é sobre ser preditivo. As empresas mais sagazes não estão apenas olhando para o que os consumidores estão fazendo, mas também estão usando machine learning e modelos lookalike para entender o que os consumidores tendem a fazer antes de efetivamente realizar uma compra, uma conversão”.

Aliás, a pauta de engajamento genuíno também esteve presente em muitas das atividades. As comunidades, neste sentido, teriam um papel fundamental, no sentido de proporcionar às marcas dados e informações relevantes sobre seu comportamento, bem como o de fornecer um ambiente de relacionamento verdadeiro, gerando vínculos que vão além dos transacionais. É como explicou Victoire Cogevina Reynal, CEO e Co-fundadora da Gloria Football: “Comunidade para mim é algo pessoal, é sobre um sentimento, sobre sentir-se vista e representada. Quando foi a última vez que você se sentiu assim? Compreendida, celebrada, vista?”.

Tivemos a chance de perceber isso no Brasil em 2020 em diferentes frentes: com Facebook e WhatsApp fazendo propagandas na TV aberta sobre suas funcionalidades, como as pessoas poderiam se conectar por meio de mensagens e grupos específicos; Magazine Luiza proporcionando um lugar digital para as empresas pendurarem seus produtos (um jeito bem particular de explicar um marketplace), além de se posicionar frente a questões como o aumento da violência contra a mulher durante a quarentena e a defesa da vacinação no País.

Vimos também no próprio SXSW quando percebemos por meio de social listening a movimentação da comunidade da cantora e atriz Demi Lovato que lançou seu documentário “Dancing with the Devil” durante o primeiro dia do evento e foi responsável por mais de 80% das menções nas redes sociais.

Além disso, a conexão esteve presente nas discussões sobre tecnologia. Nas palestras, ela tem se apresentado de duas formas bem interessantes: ora como algo que nos ajudará no dia a dia, facilitando o cotidiano; ora como algo que está ressignificando estruturas e instituições, não necessariamente de um ponto de vista positivo. A inteligência artificial tem proporcionado experiências significativas no cotidiano, desde a sugestão de conteúdos para consumo em plataformas de streaming, até facilidades, como permitir o acionamento por voz de funções diversas até mesmo por crianças. Por outro lado, tem proporcionado mudanças no mercado de trabalho, levando a questionamentos sobre como estamos desempenhando nossas funções e até mesmo qual é o futuro de algumas profissões.

As respostas muitas vezes vêm nessas mesmas palestras. O storytelling e a criatividade, por exemplo, foram citados como forma alternativa de utilizar a tecnologia a nosso favor, de modo a se aproximar da audiência, gerar engajamento e movimentar comunidades. Isso me fez lembrar do case da Barilla, que criou no Spotify playlists com músicas com duração exata do tempo de preparo das suas massas. É simples, é divertido e engaja. Entende a necessidade do usuário e entrega o que ele precisa.

No fim, como se pode perceber, é sobre utilizar dados, comunidades e tecnologia para aproximar. A pandemia gerou conexões mais fortes entre os seres humanos e isso se estendeu para as marcas. O evento, nesse sentido, tem mostrado os caminhos que levaram a isso e que podem ser mantidos pelas empresas. E isso não é sobre o futuro. Já é o presente.

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