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Reflexões sobre o SXSW 2021

Diversidade e inclusão, criatividade, inteligência artificial, tendências, resolução de problemas, comunidades e o futuro


22 de março de 2021 - 15h52

(crédito: Markus Spiske/Pexels)

Foram dias intensos, de muita reflexão e com a moleira à milhão ao longo da semana no SXSW. Os melhores momentos foram aqueles que me deparei com um universo novo de assuntos e abri novas portas, mas essa parte fica para um outro momento. Foram muitos conteúdos! Tanto que não cabe num artigo só e por ser tão rico fica até difícil resumir.

A pandemia foi abordada em boa parte das palestras que acompanhei. Foram feitas análises de como enfrentar esse cenário inesperado, mas aproveitar para reconstruir o pensamento de empresas, marcas e sociedade com uma narrativa mais empática, criativa, inclusiva e com representatividade.

Selecionei alguns dos muitos destaques:

Repensando a marca moderna
Segundo Dipanjan Chatterjee, vice-presidente e analista da Forrester os termos: marca, raça e gênero estão interligados. Se há um tempo empresas achavam que se posicionar tinha mais riscos do que benefícios, hoje não há espaço para serem espectadoras das injustiças sociais e não ajudarem a mudar a consciência coletiva. Afinal, as instituições são parte do problema, mas também das possíveis soluções.

Ele citou um momento marcante de 2017, no qual o jogador de futebol americano, Colin Kaepernick, se ajoelhou durante o hino nacional para protestar contra o racismo e a Nike o convidou para ser estrela da sua campanha de 30 anos. Foi postada no twitter da marca uma foto do jogador em preto e branco com a frase: “Acredite em algo, mesmo que isso signifique sacrificar tudo”.

Já o movimento Black Lives Matter (“Vidas Negras Importam”), que surgiu nos Estados Unidos há cerca de seis anos, para combater a violência policial e outras expressões do racismo, ganhou ainda mais destaque em 2020 e muitas marcas “se posicionaram”. Mas é importante ter um olhar profundo e ações efetivas sobre a temática, entendendo que a questão racial no Brasil é crucial.

O pesquisador finalizou com quatro conselhos para as marcas: ser honesto e humilde para entender sobre a história; ter iniciativas conectadas ao negócio e sociedade e não apenas à comunicação; olhar cada detalhe operacional desde a base; ser verdadeiro com os valores de coração.

Tecnologia, cultura e UX através do Oriente
Human centered design (design centrado no humano). Essa é a abordagem mais comum para concepção de projetos ou modelos. Mas esse foco não é diverso. Bruce Mau, designer canadense explica que o design centrado nos humanos cria um desequilíbrio, que ele chamou de “bolo com camadas de problemas” que vão da pandemia com injustiça racial à falta de comida no mundo. Isso porque consolidamos um modelo ocidental de design focado no indivíduo e não na coletividade.

Em 2018 a China desenhou como seria a China de 2025, e a partir daí mudaram a política de ancestralidade de sistema logístico e ecossistema digital. Hoje o país está numa posição competitiva e de forte liderança global quando se fala de carros autônomos, smart cities, visão computacional da medicina e reconhecimento facial e de voz.

Quando falamos da jornada do e-commerce na China, por exemplo, as plataformas já combinam pagamentos digitais, negócios agrupados, mídias sociais, jogos, mensagens instantâneas, vídeos curtos e celebridades ao vivo, dentro de um super app de maneira mais intuitiva. Além da agilidade de testes, um olhar contextualizado e menos autocentrado, o coletivismo do Oriente o faz mais adaptável. Já não é novidade que é lá, e não no Ocidente, que o futuro do e-commerce está sendo traçado.

Senso de comunidade na pandemia
A geração Z tem impulsionado muitas mudanças no mundo online. As plataformas digitais, por exemplo, estão transformando a forma como os relacionamentos começam e são mantidos. Esse viés ganhou ainda mais ênfase com a pandemia. Isolados em casa, o Tinder mostrou que dá para driblar a falta de um crush. “As pessoas vão se encontrar em um ambiente online, jogar games ou colocar na bio que estão procurando alguém para falar de determinado assunto. Relacionamentos online vão virar uma parte do futuro”, afirmou Lanzone, CEO do Tinder.

Já o TikTok, um dos aplicativos mais comentados dos últimos tempos, se consolidou como opção de entretenimento para brasileiros durante a pandemia. O nível de criatividade demonstrado pela comunidade trouxe mais leveza para um momento difícil. Essa maior conexão entre usuários também foi notada no Twitch e pela Peloton (bike ergométrica com conexão wi-fi) na qual você se conecta com o instrutor e com outras pessoas que estão fazendo o mesmo treino.

Jen Wong, chief operating officer da Reddit, em outro painel disse: “As pessoas estão se comunicando ainda mais em comunidades, ou seja, uma resposta para enfrentar essa nova configuração de mundo é por meio da troca de experiências em plataformas, que estimula o aprendizado, relacionamentos, a troca de conhecimento e o fluxo de informações”.

Enfim, o senso coletivo e de transformação passa por diversas frentes. O olhar e ações no momento presente moldarão o nosso futuro. O que fica depois dessa maratona de conteúdos e inspirações é o pensamento positivo de uma mola propulsora com a reflexão de como aplicaremos esses insights em tempos de novas (e tão antigas) urgências.

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