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Juntos, mesmo que separados

O poder de criar e viver em comunidades para o nosso futuro


23 de março de 2021 - 13h58

(Crédito: Sergey Zolkin/ Unsplash)

A Arte de se reunir, tradução literal referente à obra de Art of Gathering, de Prya Parker, não poderia ter sido melhor escolha da organização para fechar – ao menos oficialmente – essa jornada digital do SXSW 2021.

Esse tema esteve presente quase que como uma transversal em todos os dias e temas do evento, a todo momento somos levados a repensar e reforçar o nosso senso de comunidade, de agir em conjunto, e em tempos de isolamento isso se reforça ainda mais.

Prya, que é mediadora de conflitos e especialista em Gathering – que podemos traduzir de forma simplista para “reuniões” ou “encontros” – e teve sua tese desafiada pelo momento em que vivemos, mas rapidamente mudou o jogo e seu projeto se tornou o Together apart, ou “Juntos e separados”, pois embora a pandemia tenha impedido muitos de nós de estarmos juntos no ano passado, isso não impediu que os encontros acontecessem de qualquer maneira.

Desde os primeiros momentos desta epopeia que estamos inseridos buscamos formas de nos socializarmos, lembrando as palmas diárias aos profissionais de saúde, que nasceu como uma ação de PR, mas se transformou genuinamente numa ação de que juntos éramos mais fortes e ações pequenas e simples ganharam papel importante pessoal e socialmente.

Porém ela alerta aos perigos, como termos transformado o Zoom em um lugar, um destino, muitas vezes esquecendo que ele é simplesmente uma tecnologia. Lembrando que precisamos criar algum contexto ali, com as outras pessoas conectadas. Mas também ressalta que tecnologias têm sido essenciais para superar estes desafios, uma das novas maneiras positivas de as pessoas se reunirem online é por meio do TikTok, cujos memes virais criam um senso de comunidade na plataforma. O meme “Sea Shanty”, por exemplo, foi um momento coletivo de dizer: “Estamos passando juntos”, disse Parker, com promessas de dias melhores. “Estávamos cantando e marcando o tempo juntos”, por meio daquela velha canção de marinheiro.

Quando perguntada sobre o que vamos manter da vida de antes e o que vamos deixar para trás, Prya relembra que tínhamos colocado as reuniões no piloto automático antes da pandemia, e prevê que as pessoas retornarão às reuniões do tipo pré-coronavírus em grande estilo. “Vai ser uma bagunça. As pessoas irão desfrutar profundamente dos benefícios físicos da reunião e de todas as suas manifestações ”, disse ela. Nesses momentos, a profunda alegria da reconexão pode nos fazer sentir seguros o suficiente para deixar a tristeza do ano vir. “A década de reunião está chegando”, afirma.

O tema de comunidade apareceu muito forte também quando falamos da indústria de games, depois de diversos talks sobre o tema durante essa semana coube a Joost van Dreunen trazer números para colocar destaque definitivo nesta conversa há muito relegada a segundo plano: a indústria de videogames de US$ 160 bilhões emergiu como o passatempo preferido de 3 bilhões de pessoas em todo o mundo. Joost escreve um boletim informativo semanal sobre jogos, tecnologia e entretenimento chamado SuperJoost Playlist.

O pesquisador atribui esse crescimento da indústria à mudança na dinâmica da indústria. Antes eram desenvolvidos games para consumo individual, e hoje a indústria atua como uma networking, e assim os games são desenvolvidos, as pessoas se reúnem para jogar, as pessoas se encontram em metaversos, e a comunidade gamer deixou de ser um nicho e passou a ser uma poderosa indústria. Já se foram os dias em que crianças brincavam no porão dos pais por horas a fio. Hoje, grandes editoras e grandes empresas de tecnologia gastam bilhões para capturar participação em um mercado que mal parecia existir há alguns anos.

Por fim, pelo menos momentaneamente, ressaltamos uma comunidade historicamente discriminada e assim marginalizada, mas que também vem se tornando uma indústria extremamente importante na economia, saúde e socialização. A indústria da Cannabis, ou cannabusiness, como é descrita, vem ganhando destaque nas discussões e esse ano alcançou um papel mainstream tendo um representante como patrocinadora platinum do festival. Saímos da discussão sobre uso recreacional, superamos as margens do uso medicinal e hoje discutimos a indústria como um business assim como tantos outros, mas sem menosprezar o seu crescimento exponencial, e acreditamos que cresça ainda mais neste ano com a promessa de Biden de olhar para o setor e sua regulamentação, desprezada pela gestão anterior.

Chegamos ao fim desta jornada digital, onde tivemos o prazer de utilizar a tecnologia e a mídias para nos conectarem, e abrirmos conversas valiosas, mas fica aqui a esperança de que no próximo ano podemos seguir nesta jornada com ainda mais calor humano.

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