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Precisamos construir um futuro mais empático, diverso e ético

Uma pequena fração de tudo que rolou


22 de março de 2021 - 14h45

(Créditos: gdtography/canva)

Quando fui convidada para comentar o SXSW 2021 achei que seria tranquilo, afinal já tinha a agenda organizada de que eventos gostaria de acompanhar e poderia fazer um sumário diário do que eu via e percebia.

Só que este ano foi muito diferente. Eu não estava 100% imersa em Austin e no festival, tive que encaixar as palestras no dia a dia do trabalho e reuniões. Mesmo tendo me interessado por uma infinidade de palestras, — e isso não muda no virtual — fui seletiva e foquei nas que tinham mais relação ao mundo de tecnologia, futuro e pessoas, por isso minhas impressões expressam uma pequena fração de tudo que rolou.

Um mundo mais empático, justo e equilibrado em que as diversidades sejam consideradas parece ser um caminho sem volta. Como bem nos relembrou Baratunde Thurston em “For Brands Who Want to Help us be Free” falando sobre desigualdade e racismos, dizíamos que a Covid-19 seria igualitária, só que o sistema é desigual e afetou de maneira diferente quem não teve opção de ficar em casa. E já que há uma falta de liderança política em relação a desigualdade espera-se cada vez mais que as empresas tomem este papel, contratando com maior diversidade, trazendo para dentro do sistema quem está excluído.

A ética na tecnologia, dados e privacidade, responsabilidade das big techs foi outro assunto que permeou o festival. Por um lado há uma demanda por direitos civis digitais, que cidadãos possam ser esquecidos das redes, que sejam donos de seus dados e que as empresas sejam responsáveis pelos conteúdos disseminados em suas redes. Afinal, como pontuado por legisladoras americanas e europeias em painel com Tristan Harris do Centre for Humane Technology, não deveríamos poder achar on-line o que é ilegal off-line. Por outro lado, Amy Webb nos apontou a nova desordem mundial, onde já estamos mais sujeitos a vigilância, e impulsionados pela pandemia estamos mais abertos a ela. Esta vigilância será potencializada pelo “você das coisas”, teremos cada vez mais aparelhos vestíveis que detectam nossa biometria comportamental gerando mais dados sobre nós, nosso sono, nosso lixo e até o que passa por nossas privadas. Combinado com o mundo das realidades misturadas, a real e a digital, nós viraremos redes e nosso mundo será “metaverso”.

Mas se as previsões parecem sempre assustadoras, Yuval Harari nos lembra que esta é a melhor época para sermos humanos. Somos mais pacíficos e saudáveis do que há cem anos. Mesmo estando melhores agora temos medo das inovações, porque é inconveniente aprender coisas novas, muitas vezes perigosas. E a evolução tecnológica se encaixa neste cenário. Precisamos ser menos ingênuos e trazer a ética para o desenvolvimento de tecnologias para que elas sejam benéficas a sociedade, e isso só depende de nós.

E esta é uma tremenda responsabilidade, já que seremos todos tech! A conversa de Jeff Lawson, co-fundador da Twilio e escritor do livro “Ask a Developer” com o CTO da Amazon, Werner Voegels, foi exatamente sobre isso. Voegels foi enfático ao pontuar que as empresas terão que ser “digital first” ou morrerão. Mas como fazer isso? Alinhando o propósito do cliente, com a missão e as métricas. E fazendo isso com times pequenos porque assim todos estarão sempre próximo do cliente e da tomada de decisão, com o senso de urgência elevado. 10 times pequenos, são melhores do que um grande time e uma só ideia, pois haverá 10 ideias sendo testadas e muito mais chance de sucesso. E esta mentalidade de startup é que precisa chegar às grandes companhias, citando o exemplo da Domino´s que deixou de ser uma empresa de pizza para se transformar em uma empresa de tecnologia, e que com isso suas ações valorizaram quase 100 vezes em uma década.

Como disse a Amy, imaginar-se no futuro requer coragem. Mas se não podemos prevê-lo, podemos nos preparar usando tendências e sinais para fazer as melhores escolhas. E participar de festivais como o SXSW, mesmo que vivenciando apenas uma pequena fração dele, é sempre enriquecedor. Que em 2022 esta experiência possa ser novamente física e imersiva.

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